Publicado em crianças, Educação, familia, infância, Parentalidade

A arte de educar: tudo no tempo certo

Muitos de nós ouvimos ou até dizemos:

♥ ” Tudo tem o seu tempo”

♥ ” É preciso dar tempo ao tempo”

♥ ” A maior parte do nosso tempo passa-se a passar o tempo”

♥ ” O tempo é o relógio da vida”

♥ ” Tudo na vida quer tempo e medida”

♥ ” O tempo é mestre”

♥ ” O tempo que vai, não volta”

Mas, em algumas circunstâncias da vida ficamos impacientes por algo não a acontecer no tempo idealizado… pela demora ou pelo avanço repentino e inesperado. Enfim, desejamos que tudo seja no “nosso tempo” e não no “tempo certo”.

Quando o bébé nasce desejamos que seja calminho, coma bem e nos deixe dormir umas horas seguidas… depois ansiamos que seja boa boca e que comece a andar rápido para não precisar de cadeira e de colo… rapidamente passamos ao desespero porque não pára um minuto e perguntamos: tem pilhas duracel? Passado um tempo esperamos que fale corretamente para que o entendamos melhor e ficamos radiantes quando isso acontece! Depois sonhamos com o momento em que nos deixará ler um livro sem interromper (para dizer vezes sem conta: mamã olha ou tenho fome!!) Também idealizamos aquele dia em que vamos conseguir sair de casa sem que fique a chorar e nos faça sentir mal.  Entretanto, lá vem o tempo em que já autónomos, respiramos fundo e levantamos as mãos ao alto: finalmente podemos desfrutar um pouco do nosso tempo! Depressa sentimos que não somos tão úteis como já fomos, pois vivem sem os nossos cuidados e começamos a colher os frutos da nossa dedicação e amor. Nesta fase, quando desejamos um beijo ou um abraço, dizem: oh, mãe! Nesta altura, talvez alguns de nos desejassem tê-los no colo, abraçar e fazer-lhes festinhas. Depois, depois não sei… mas imagino que saiam e diga: não tenho horas para chegar… e nessa altura o que sentiremos nós?

A educação é um ato que requer paciência e persistência. É uma ato de amor e de dedicação plena. Quem educa não desiste, planta todos os dias e espera que o tempo traga os bons frutos. Acredita num futuro melhor e principalmente vive o tempo presente: o aqui e o agora é o segredo para aproveitar cada momento da vida dos nossos amores.

Para educar é necessário ouvir o tempo, interpretar os sinais, ler nas entrelinhas, ver o que não existe, como se realmente existisse, parar, silenciar e escutar principalmente com a alma. Deixar que o “tempo certo” bata à nossa porta e saber recebê-lo é a arte de educar.

Quando é tempo de acontecer, tudo se encaixa, tudo se processa de um modo natural. Essa é a essência da educação… tudo no tempo certo!

“O tempo perguntou ao tempo
quanto tempo o tempo tem!
o tempo respondeu ao tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem.”

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A Mágica de Educar

A Educação não é um tema consensual. São inúmeras as teorias e perspetivas que podem apoiar ou refutar as nossas opções parentais. Como mãe sigo uma linha de educação alicerçada no afeto, confiança e responsabilização (ACR). Na relação com os meus filhos utilizo uma regra de ouro – DCC, assente na Disciplina, Coerência e Consistência. Não tenho qualquer dificuldade em aconselhar a sua implementação pois já testei inúmeras vezes e funciona com várias idades.

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Com os filhos temos que ser sinceros e explicar-lhes bem o que esperamos deles e quais são as suas responsabilidades como filhos. Só assim podemos ajustar as nossas expectativas às suas reais necessidades e capacidades. Existem vários momentos de um dia, em que somos desafiados e muitas vezes deixamo-nos vencer pela persistência que só uma criança sabe exibir. Por exemplo, a regra “DCC” resulta muito bem quando um filho se lembra de fazer uma birra, porque quer algo no supermercado. Pois é… muitas pais deixam de sair com os filhos por este motivo. Sabem o que faço? Se, efetivamente não pretendo comprar doces, antes de sair de casa ou no caminho, transmito essa informação, explicando o motivo da decisão. É importante que a criança saiba o que pode e o que não pode fazer com antecipadamente. No local, como já seria esperado, o pedido surge para testar até onde vai a minha determinação. Todos sabemos que as estratégias de marketing também não ajudam muito, com a exposição de produtos na linha da caixa e ao nível da criança.

As crianças são mesmo assim e nós temos que estar sempre à frente nesta corrida de testar poderes e limites parentais. Então, com uma voz calma e firme respondo: filha, mãe não te vai comprar nada, já te tinha dito, lembras-te? E ai começa a corrida da persistência. É neste momento que entra a regra que partilhei anteriormente. Se decidi não comprar doces, não devo retroceder, por muito que me custe enfrentar o olhar dos expectadores, tenho que disciplinar com sabedoria, demonstrar coerência entre o que digo e o que faço, bem como consistência na minha atitude, mesmo que ela chore, grite, esperneei e diga que não gosta de mim, o que normalmente acontece.

Este é o ponto central da educação, se temos bem definidos as nossas intenções, nunca as devemos abandonar, nem trocar por algo que não nos levará ao destino pretendido. Encaro a parentalidade como um projeto de vida e portanto não posso abrir mão de valores e princípios que estão na base da educação dos meus filhos. Qualquer criança precisa conhecer bem os limites que a vida lhe impõe, para aprender a viver e ser um indivíduo completo e feliz. Neste limbo que é educar, todos ganham com esta prática de parentalidade consciente!

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